Teste simples de memória consegue detectar os primeiros indícios de Alzheimer

Quanto antes o Alzheimer for descoberto, menos dificuldades em conviver com a doença e mais qualidade de vida a pessoa terá

O Alzheimer, causa mais comum da demência, chega silenciosamente a milhares de pessoas em todo o mundo. Não tem cura tampouco medicamentos surtem efeitos para contê-lo, em 99% dos casos.

Muitos descobrem a doença quando já estão totalmente agravados pelos sintomas e com as estruturas do cérebro alteradas, tornando os tratamentos ainda mais difíceis. O único modo de controlar seu avanço é por meio de diagnóstico precoce, pois identificar a doença com antecedência pode tornar a vida da pessoa muito mais tranquila e controlar a demência.

A família precisa estar atenta ao primeiro sinal da doença e detectar as primeiras mudanças cognitivas que surgirem. Uma delas é o esquecimento, comum a uma certa idade, que não deve ser frequente – se for, é preciso ficar em alerta.

Teste para diagnosticar mudanças cognitivas

Um grupo de cientistas da University College London realizou um simples teste de memória com 35 pessoas, a fim de checar possíveis incidências do Alzheimer. O teste foi publicado no The Lancet Neurology e está disponível para aprofundamento da análise.

Os integrantes tiveram de memorizar uma lista de palavras, detalhes de um diagrama e de uma história. Após 30 minutos, as pessoas precisaram contar o que lembravam.

Na semana seguinte, os cientistas perguntaram aos mesmos participantes o que eles se lembravam do teste feito há sete dias. O resultado foi alarmante: 21 integrantes apresentaram uma mutação genética, ou seja, são vulneráveis ao desenvolvimento do Alzheimer a partir dos 40 anos. Eles conseguiram responder o teste de memória meia hora após o questionamento, mas depois de sete dias não se lembravam mais das informações. Mesmo saudáveis, os voluntários poderiam apresentar os sintomas dos danos cognitivos em sete anos.

Os 14 voluntários restantes participaram do experimento como um grupo de controle, para que pudessem ser comparados aos que apresentaram chances maiores de adquirir a doença. Para esse grupo, o desempenho não era diferente, comparando ao teste inicial de 30 minutos.

Como identificar os sintomas

O teste aplicado na University College London pode ser a primeira forma de se atentar às mudanças que suscitam o Alzheimer no comportamento do familiar ou amigo próximo.

Você precisa notar alguns sintomas característicos da doença. São estes:

  • problemas na fala;
  • esquecer de fatos recentes;
  • perder-se em lugares familiares;
  • tristeza, apatia sem motivos;
  • mudanças repentinas de humor;
  • agressividade por razões simples;
  • indecisões ou dificuldade de ter iniciativa própria;
  • depressão e perda de interesse por atividades que gosta;
  • dificuldades em saber onde ou em que tempo está (saber data, hora, ano).

De forma geral, alguns tipos de falhas na memória são comuns, mas é fundamental se ater quando a pessoa transforma hábitos simples em algo preocupante. Não saber onde o banheiro fica, guardar a manteiga no guarda-roupa, crises de choro e ataques de riso desenfreados e não conseguir identificar o nome daquele objeto que serve para abrir a porta, são alguns dos indícios de que o Alzheimer pode estar alterando a estrutura cerebral.

Ao analisar o comportamento e perceber tais transformações, é preciso ter o parecer final do geriatra ou do neurologista de confiança. O profissional fará um teste cognitivo para detectar se se trata apenas de algo comum da idade ou se há algo mais grave, e assim dará prosseguimento no diagnóstico.

Quanto antes o Alzheimer for descoberto, menos dificuldades em conviver com a doença e mais qualidade de vida a pessoa terá. Cuide de quem está perto de você, observe cada possível alteração nos hábitos diários e não deixe de procurar ajuda médica.

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