Brasileiros têm mais medo da dependência do que da morte, revela Datafolha

Com o percentual de 84%, a dependência física é uma das maiores preocupações entre os idosos

Um levantamento feito pelo Instituto Datafolha revelou que grande parte da população brasileira tem mais medo de depender física, mental ou financeiramente de alguém do que da velhice ou da morte.

Cerca de 2.732 brasileiros, com 16 anos ou mais, foram ouvidos em todas as regiões do país, sobre diferentes tipos de assuntos, tais como saúde, sociedade, família e finanças. Dos entrevistados, 84% têm medo de depender fisicamente de alguém, 83% temem a dependência mental e 78%, a financeira. As mulheres são mais temerosas do que os homens: 87%, 86% e 81%, respectivamente.

Esse medo presente em todos os entrevistados tem um fundamento. Outra pesquisa realizada pela Escola de Saúde de Harvard apontou que a tendência era parecida em 187 países devido as condições de saúde. Sabe-se que a expectativa de vida aumentou em média cinco anos, em contrapartida um ano da vida foi caracterizado com dificuldades e incapacidade.

Alessandro Campolina, geriatra e autor do estudo no Brasil, corrobora e objetiva que o impacto das doenças afeta cada vez mais os idosos. “Se a hipertensão e a diabetes fossem controladas, os homens ganhariam até seis anos de expectativa de vida livre de incapacidade”, diz.

Medo de morrer

Em sua totalidade, a pesquisa mostrou que 71% dos brasileiros não têm medo de envelhecer e 74% não têm medo de morrer. Os homens apareceram com menos medo em ambos questionamentos: 76% contra 67% delas e 79% contra 69%, respectivamente.

Muitos relataram que querem viver até os 89 anos de idade, quando questionados em todas as faixas etárias. As pessoas com mais de 60 anos são as que menos têm medo da velhice e da morte, sendo 80% nos dois casos.

Já os mais novos, com 35 a 44 anos, responderam que possuem muito medo da velhice, sendo 11%. Em relação ao medo da morte, esse número é menor (67%), se comparados aos 80% entre os idosos.

Os brasileiros formados em curso superior se mostram mais temerosos em relação à morte e à velhice: 13% têm muito medo da velhice. 19% das pessoas que ganham acima de 10 salários-mínimos admitiram ter medo de envelhecer, contra 9% das que ganham menos de 5 salários. Os mais ricos têm menos medo de morrer (17%) do que os mais pobres (26%).

Incapacidade na velhice

A enfermidade dos idosos provém, em sua maioria, de doenças mentais, articulares e até mesmo de quedas, correspondendo a quase 70%, no que diz respeito à incapacidade.

Ao envelhecer, a pessoa vai perdendo gradativamente a habilidade de lidar com coisas básicas, como manter a casa limpa, por exemplo. Depois, são agravadas a capacidade motora, como tomar banho ou comer sozinho.

Em tempos passados, os idosos lidavam com essas limitações mais tardiamente. Agora, isso acontece mais cedo, por volta dos 60 anos, por causa de fatores como o sedentarismo e a obesidade. Por isso, a dependência física foi apontada como uma das maiores preocupações na pesquisa Datafolha, com o percentual de 84% entre os idosos.

Embora ainda não se tenham políticas públicas para prevenir tais propensões à incapacidade no país, é importante se cuidar mais e responsabilizar-se pela própria saúde. É fundamental mudar alguns hábitos para assegurar que se tenha uma velhice mais saudável e, dessa forma, fazer com que todos esses medos desapareçam.

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