Como fugir do stress financeiro?

Organizar as contas é fundamental para não perder as noites de sono

Stress é uma palavra que já se incorporou ao vocabulário contemporâneo. É um conjunto de reações do organismo a um evento que exige grande capacidade de adaptação. E faz muito mal à saúde quando extrapola os limites. Prejudica o sono, o humor, o apetite, o relacionamento e até a imunidade do organismo. O mesmo ocorre em relação ao stress financeiro. Muita gente talvez nem conheça a expressão, mas já sofre dos efeitos desse mal, provocado por falta de planejamento, má gestão e consumismo.

Álvaro Dias, administrador pela Universidade de São Paulo e planejador financeiro da AR&D Finanças Pessoais, explica que o Brasil passou por uma expansão de crédito muito forte nos últimos anos, fazendo com que as pessoas se planejassem pouco e chegassem a um endividamento que supera os limites de adaptação do próprio orçamento: tornaram-se, então, vítimas do stress financeiro.

Para o especialista, quando a pessoa percebe que está endividada e não consegue mais lidar com os gastos, é hora de trabalhar a real necessidade de cada consumo. Deve-se compartilhar o problema com a família e planejar uma estratégia para reverter a situação orçamentária. “O que caracteriza o estresse financeiro é a perda do controle da situação. É preciso buscar equilíbrio nesse momento, já que crises financeiras são motivos de brigas constantes quando os gastos não estão claros”, afirma Dias.

Os sintomas físicos e mentais do stress financeiro são os mesmos que os do stress tradicional, confirma Marcelo Quirino, psicólogo formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele explica que no pico da crise são comuns palpitações, sudorese, coração acelerado e tremor. “Claro que os sintomas variam de tipo e intensidade de um paciente para outro. Psicologicamente, as pessoas desenvolvem pensamentos paranoicos, depressivos, ansiedade, desesperança, desconcentração e perda de memória”, diz.

Segundo Quirino, o tratamento é psicoterápico e, em casos mais graves, farmacológico, mas a pessoa jamais deve se automedicar. A orientação é procurar ajuda de um terapeuta para aprender a lidar com a situação e, sobretudo, para descobrir os motivos que a levaram ao descontrole financeiro. “Na terapia, a forma como ela se envolve com o dinheiro, estruturas de personalidade, relacionamento interpessoal e autoimagem são analisadas”, explica. E para não chegar ao descontrole no orçamento, o planejador Álvaro Dias dá algumas dicas de prevenção:

- Organize o orçamento: invista em alguns minutos diários para fazer o controle de quanto ganha e gasta.
- Quantifique os projetos: eles precisam ser atingíveis em curto, médio e longo prazo. Quando os objetivos são mensuráveis, fica mais fácil saber como alcançá-los.
- Avalie o consumo: confira se os seus gastos não irão interferir no alcance dos seus objetivos.Quando você coloca o planejamento financeiro numa linha do tempo, é capaz de tomar decisões de consumo mais sensatas.
- Tenha controle do crédito: pague faturas integralmente e evite os juros. Caso não tenha controle do cartão de crédito, é melhor nem usá-lo.

Tags: comportamento finanças organização planejamento financeiro

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