Conheça o Cataki, aplicativo que conecta catadores independentes com cidadãos

Aplicativo aumenta a renda e reconhece trabalho dos catadores de lixo, que são os principais atuantes em prol da natureza

Conhecido como o Tinder da reciclagem, o aplicativo sem fins lucrativos Cataki foi criado para aproximar cidadãos e empresas que querem descartar materiais recicláveis e catadores de resíduos, gerando renda e aumentando a reciclagem. Trata-se de um meio de integração entre diferentes classes sociais, com uma grande relevância social.

Lançado em julho de 2017, o Cataki já registrou cerca de 300 catadores, de mais de 30 cidades brasileiras. A ideia do aplicativo é ajudar o catador a fazer um bom negócio.

Os catadores são trabalhadores autônomos e coletam cerca de 90% de tudo o que é reciclado no Brasil, fazendo parte de um setor não regulado nem reconhecido. Eles sobrevivem com a venda do que coletam: plástico e papelão, por exemplo, valem aproximadamente R$ 0,20 por quilo, e o vidro R$ 0,05 por quilo.

Com o aplicativo, é possível trazer a dignidade do trabalho, aumentar a renda, e proporcionar o devido reconhecimento para os catadores de lixo, que são os principais atuantes em prol da natureza. "Como se trata de uma população muito vulnerável que ainda sofre com a exclusão digital, nós pensamos num conceito colaborativo que não demandaria muita tecnologia e sem nenhuma barreira de entrada", relata Breno Castro Alves, coordenador do projeto.

Conheça esse aplicativo que ganhou o prêmio de inovação do fórum Netexplo, concedido a projetos de tecnologia com maior impacto social e nos negócios.

Serviço cria uma rede de colaboração

Os catadores cadastrados num banco de dados recebem ligações dos usuários que querem descartar seus resíduos, que vão desde papéis a móveis e eletrônicos. Os perfis criados no aplicativo ficam à disposição dos usuários, que poderão ligar, combinar o local e o horário da coleta, bem como preço do serviço.

Caso um catador não consiga fazer o serviço, ele aciona um colega, repassando a coleta. Dessa forma, todos se unem e garantem trabalho para todos. Para Cláudio, de São Paulo, o Cataki aumentou ainda mais a sua responsabilidade. "As pessoas têm me dado muito espaço para trabalhar. Tento atender os clientes da melhor maneira possível", diz.

Com a adesão de mais colaboradores, futuramente os usuários poderão compartilhar fotos e vídeos de objetos que necessitam ser coletados. Já os catadores escolherão se aceitam ou não fazer a coleta e também sugerirão um valor pelo serviço. Tudo isso com informações de perfil, com foto e localização mais próxima do usuário.

Expansão do projeto

Com a notoriedade e o reconhecimento internacional após a premiação, os idealizadores esperam chegar a mais regiões do país, ampliando a rede e mapeando mais catadores. Hoje, o serviço está estruturado nas regiões de São Paulo e Recife. Ao todo, dois mil projetos foram avaliados e o Cataki teve grande destaque, sendo o vencedor.

Tags: catadores cidadãos coleta lixo reciclagem resíduo

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