Emprestar seu nome? Não entre nessa roubada

Emprestar seu nome pode se tornar uma grande dor de cabeça, já que essa atitude pode acarretar no não pagamento da dívida

Você provavelmente já ouviu este velho dito popular: “o seu nome é o seu maior bem”. E ele não está errado, no que diz respeito a emprestar o nome para alguém. Nós, brasileiros, temos culturalmente o ímpeto de nos sensibilizarmos com o próximo que está precisando de um auxílio. E é aí que mora o perigo: possivelmente quem pediu seu nome é quem já está com desequilíbrio financeiro.

Nome emprestado é a maior causa de inadimplência

Já imaginou descobrir, na loja, que não pode abrir um crediário, porque seu nome está sujo? Essa infeliz situação pode acontecer se você emprestar seu nome para aquele amigo ou familiar. Essa pessoa possivelmente já possui um histórico financeiro desfavorável – baixa renda, dificuldade para comprová-la ou, ainda, nome restrito.

Saiba que, mesmo que seja difícil negar ajuda a um familiar, é a única maneira de não se endividar. É preciso dizer não. Assim, você se livra de consequências desagradáveis, salva a sua relação com a pessoa e não perde o vínculo. É melhor fazer entender que não se trata de mesquinharia, mas sim de prudência ao negar esse empréstimo.

O não ajuda a pessoa a se conscientizar do problema financeiro que se encontra e faz com que ela busque outras alternativas. Com gestos de solidariedade, você também pode oferecê-la ajuda mostrando outros meios para ganhar dinheiro extra, ou indicá-la para um trabalho tipo freelancer.

Entenda os riscos de emprestar seu nome

Se quem pediu seu nome revelou que tem dificuldades em comprovar a renda, perceba que, se existe esse empecilho, a chance de não pagar a dívida é muito grande. O fato de possuir registro negativado em órgãos de proteção ao crédito pode indicar alguma falta de preocupação com o próprio nome. Pergunte-se se ele vai se importar com o seu. Outro fator relevante que se deve observar é se a renda da pessoa está  abaixo do exigido para a concessão de crédito, e mesmo assim ela quer um empréstimo alto em seu nome. Se a renda não acompanha esse limite, logo não conseguirá arcar com as parcelas.

Para ilustrar essa situação, a obra de Cecília Lima de Queirós Mattoso, doutora e professora do mestrado da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Me empresta seu nome?, traz um estudo sobre o comportamento dos consumidores pobres, aprofundando-se nos problemas financeiros desse segmento. Dados revelam que o empréstimo do nome tem relação direta no endividamento das pessoas em todas as classes, entretanto nas classes menos abastadas financeiramente o problema é recorrente. Segundo a autora, 1 em cada 10 brasileiros contrai dívidas por emprestar seu nome, sendo a maioria mulheres, e 6 em cada 10 desconhecem o valor da compra ou do empréstimo feito por terceiro.

Muitas vezes a inadimplência se dá por compras que não são consideradas emergenciais, como as de supermercado. Geralmente são compras de cunho pessoal, como roupas, sapatos, eletrônicos, entre outras.

E se você decidir emprestar seu nome?

Ao optar ceder seu nome para alguém, primeiramente, consulte o CPF da pessoa para checar se há registros de não pagamento de dívidas anteriores. Em seguida, exija alguma garantia – pode ser um bem. Registre em cartório um contrato assinado que relate com exatidão valores, bem como dados da pessoa a quem cedeu o nome. Vale também nota promissória ou cheque pré-datado.

Mesmo na tentativa de se resguardar contra o endividamento, sabe-se que tudo isso ainda não é suficiente e que não são garantias, mas permitirá que você acione a Justiça para resgatar o valor que desembolsou.

Uma recomendação oportuna para os aposentados, que geralmente têm facilidade para obter crédito, é que demonstrem firmeza ao negar esse tipo de ajuda e redobrem os cuidados para não ter o nome sujo e parar na lista de inadimplentes.

Consequências de emprestar o nome – dívida herdada

Emprestou e a pessoa não honrou com o pagamento? Mantenha a cabeça no lugar e resolva essa situação de maneira responsável. Em primeiro lugar, entre em contato com a instituição credora, entenda o que ocorreu e como está a dívida no momento.

Agora, é hora de avaliar o valor da dívida herdada, verificar a possibilidade de negociar e parcelar, se for o caso. Se optar por pagar à vista, negocie descontos para essa modalidade de quitação e escolha a melhor data para isso. É essencial que você verifique a sua situação financeira e determine qual a melhor forma para quitar os débitos e limpar seu nome.

Quando você empresta o nome e o resultado é negativo, é muito provável que o relacionamento com a pessoa que sujou seu nome fique prejudicado, acarretando até mesmo em perda de vínculo.

É muito comum ver famílias brigando por dinheiro, amizades e namoros terminando por isso. Compreender que o rompimento e a contração de dívidas podem ser evitados, já é um ponto fundamental para você pensar antes de emprestar seu nome.

Entenda que você é unicamente responsável por dispor o seu “maior bem” a alguém. Pondere se realmente vale a dor de cabeça, seja prudente e evite problemas futuros dizendo não.

 

 

 

 

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