Maternidade tardia: a mulher quem acerta o ponteiro do seu relógio biológico

Pesquisa aponta que mulheres que optaram por ter seus filhos mais tarde escolheram antes consolidar a carreira profissional, ter estabilidade econômica e boa saúde para conduzir a gravidez

Uma pesquisa que compôs o relatório do Instituto Nacional de Estatística da Espanha (INE), que abordou o movimento da população no ano de 2016, trouxe um dado histórico sobre a média da maternidade: mulheres engravidam a partir dos 32 anos.

O estudo revelou que esse atraso na idade se dá, principalmente, em países ocidentais e porque as mulheres estão com dificuldades de adequar as jornadas laborais com os últimos acontecimentos da economia. Entretanto, elas vêm convivendo com argumentos pessimistas, quando decidem ser mãe mais velha. Relacionam a idade à criação do filho julgando-as “mais cansadas” e que “parecem ser avós, não mães”.

Um levantamento feito pelo International Journal of Epidemiology pontuou a associação entre idade materna e capacidade cognitiva em crianças de 10 anos. Os cientistas analisaram, com base em três estudos longitudinais feitos no Reino Unido nos anos de 1958, 1970 e de 2000 a 2002, cerca de 10 mil crianças. O resultado não poderia ser menos surpreendente: nos anos 1950, os filhos de mães de entre 35 e 39 anos tinham pontuações cognitivas piores do que os de mães jovens. Já no de 2000, a relação se inverteu: crianças nascidas de mães com idades entre 35 e 39 anos atingiam nos testes cognitivos resultados melhores do que os das mais jovens.

Relação entre dinheiro e idade

Nos anos de 1950, as mulheres com mais de 30 anos já haviam concebido cerca de 5 a 6 vezes. E isso foi apontado nos estudos como um problema, pois o desenvolvimento cognitivo não era o mesmo entre os irmãos. Essa relação tinha e tem a ver com os recursos provenientes dos pais – atualmente essa alteração no cérebro, que afeta diretamente o quociente intelectual (QI), é ligada ao fato de os pais permanecerem longe dos filhos por muito tempo.

Diferentemente das mulheres de 1950, as de 2000 tiveram seus filhos mais tarde, por escolherem antes consolidar a carreira profissional, ter estabilidade econômica e boa saúde para conduzir a gravidez. Percebe-se que as mães tardias almejam criar seus filhos com o mesmo grau de intelecto, mesma posição econômica e cultural que elas têm atualmente – e esses são motivos plausíveis que as levam gerar uma criança nessa fase.

O que acontecia aos 25 anos agora acontece nos 35

Pesquisadores acreditam que dar à luz depois dos 35 anos melhora significativamente as habilidades cognitivas da mãe. Essa surpreendente informação se dá porque os níveis de estrogênio e progesterona produzidos durante a gravidez agem favoravelmente no cérebro e quanto mais velha for a mãe, mais efeito esse incremento terá. É salutar dizer que as mães tardias, pela sua formação socioeconômica e intelectual, educam com menos castigos, menos violência verbal e isso reflete no bem-estar psicológico e comportamental das crianças. Algumas mulheres mais velhas podem ser menos resistentes do que as mais jovens, mas, em contrapartida, possuem mais experiência e muito conhecimento, refletindo na formação de crianças mais inteligentes.

Vida prolongada

Apesar de as gestações de mulheres com mais de 30 ainda serem correlacionadas a complicações que vão desde hipertensão e diabetes gestacional até a ocorrência de síndrome de Down, existem contundentes vantagens biológicas, uma delas é a chance de viver até os 90 anos. Esse aumento de expectativa de vida provém da capacidade natural de ter um filho tardiamente, e sugere que o corpo da mulher, bem como suas especificidades reprodutivas, tem envelhecido mais lentamente.

Com todos os estudos realizados que comprovam as benesses de ser mãe tardiamente, reforça-se que a escolha da mulher é a que prevalece. Quem acerta o ponteiro do relógio biológico é ela.

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