Síndrome do Impostor: cuidado com a autossabotagem

Relacionada a prejuízos na autoestima e autoconfiança, síndrome tende a acometer mais mulheres do que homens

Carreira bem-sucedida, sólida, cargo de confiança, alto salário e nenhuma desses acontecimentos dá a sensação de realização profissional. Pelo contrário, nada disso lhe pertence. Se você se identificou com esse cenário, entenda que muitas pessoas se sentem assim: uma fraude.

Ao atingirem invejável patamar na carreira, chegando ao topo da liderança, costumam não creditar suas conquistas em si, mas em fatores alheios como sorte ou acaso. E nunca que o resultado é fruto de seu esforço, de sua competência.

Relacionada a prejuízos na autoestima e autoconfiança, a Síndrome do Impostor, assim caracterizada no fim da década de 70 pela psicóloga Pauline Clance, tende a acometer mais mulheres do que homens. E isso tem uma razão. Mulheres ainda têm menos oportunidades ao longo da carreira, vivenciam frequentemente episódios de inferiorização e se deparam com estereótipos de gênero, no que diz respeito à ocupação de cargos de prestígio.

Já os homens têm menos propensão à Síndrome e, quando eles se sentem uma fraude, não expõem às pessoas, diferentemente das mulheres. Para Clance, há uma certa pressão cultural para que os homens não compartilhem seus medos e suas inseguranças. 

Autossabotagem

Quem vive com a Síndrome costuma sentir um sofrimento profundo originado da ansiedade e do estresse. As pessoas supervalorizam seus pontos fracos, não se veem merecedoras de coisas que conquistou e do seu sucesso, e ficam à espera da descoberta de sua incompetência. Outro ponto importante é que esse padrão mental é caracterizado por apresentar outros transtornos como alteração repentina no humor e depressão – sendo, muitas vezes, necessário o apoio psicológico e até psiquiátrico como tratamento.

A doutora em Psicologia pela UnB, Renata Muniz Prado, também é pesquisadora em estudos que identificam e promovem o talento feminino e explica que essas condições, além de afetarem o desempenho e a produtividade, atuam como barreiras internas “invisíveis”, criando impacto na saúde mental e no bem-estar.  “As pessoas acometidas pela Síndrome do Impostor não desfrutam seus sucessos, gastam muita energia para manter-se em alta performance, pois criam padrões elevados para si mesmo, e tendem ao perfeccionismo, o que pode resultar tanto em excesso de preparo para o trabalho com mais anos de estudos e formações, como levar à procrastinação”, afirma. 

Principais características da Síndrome do Impostor

Performance profissional diferente do que é esperado – costumam ou fazer mais do que o esperado, esforçando-se em demasia (porque acreditam que possuem muitas limitações), ou não fazem nada, porque acreditam que fazer vai confirmar o fracasso, uma vez que se veem incapazes.

Procrastinação – distanciam-se inconscientemente para se livrar de uma atividade que trará angústia, já que vai levar ao “inevitável” fracasso. Costumam paralisar diante de prazos e ficam tolhidas de criar ou ter iniciativa.

Fuga de exposição – tendem a ser discretos, por medo do julgamento e da crítica, e evitam situações de exposição, mesmo que sejam relacionadas ao reconhecimento de seu trabalho ou à apresentação de um projeto em reunião.

Carisma em excesso: sentem necessidade de agradar todos a todo tempo, por não sentirem que estão no cargo por competência. Por conta dessa postura, podem se envolver com situações constrangedoras e até humilhantes.

Apesar de a Síndrome do Impostor, ou a autossabotagem, não ter um diagnóstico psiquiátrico preciso, esse transtorno pode acometer milhares de pessoas e levá-las ao sofrimento. A autossabotagem é mais comum do que se imagina e pode se desenvolver em qualquer pessoa que nutre a falta de senso de sua realização pessoal. Como toda síndrome, ela merece cuidado e atenção. Não deixe de conversar sobre suas angústias com seu psicólogo.

Tags: autossabotagem carreira fracasso mulher síndrome do impostor trabalho

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