Um em cada dez idosos bebe todos os dias, aponta pesquisa Datafolha

35% dos idosos se enquadram naqueles que não podem beber nem ao menos uma vez por semana

Pouco falado publicamente, o consumo excessivo do álcool na velhice já é um problema social e de saúde pública. Uma pesquisa feita pelo Datafolha revelou que 9% dos idosos consomem álcool todos os dias, sendo cinco vezes a média de todo o Brasil, com 2%, e o dobro referente aos dependentes em todas as idades, com 4%.

O levantamento apontou que os homens são os mais expostos ao álcool, um percentual de 57%, contra 81% das idosas que não bebem. De forma geral, 63% delas não bebem, mas apenas 6% dos homens não fazem uso do álcool. Entenda melhor sobre esse alarmante estudo a seguir:

Alcoolismo na aposentadoria

Os malefícios do álcool são potencializados para os idosos, uma vez que o sistema nervoso central se degenera mais rapidamente, possibilitando a hipertensão arterial e o acidente vascular cerebral (AVC). No sistema intestinal, há chances de desenvolver câncer e cirrose hepática, além de diabete alcoólica e infecções causadas pela baixa imunidade. O álcool também gera um impacto causando danos nos sistemas nervoso, cardiovascular e gastrointestinal.

Somado ao uso de remédios e calmantes, o álcool pode desencadear problemas emocionais como a depressão, uma doença que acomete centenas de idosos e que pode levar ao suicídio. Ao ingerir essa combinação perigosa, o dependente tem uma falsa sensação de alívio, mas acaba perdendo o controle e aumentando a angústia.

Para alguns, beber apenas uma vez por semana já pode desenvolver danos ao corpo – 35% dos participantes da pesquisa Datafolha estão nessa situação.

Isso é mais comum do que se possa imaginar, e muitos escondem esse problema dos médicos, quando apresentam em exames descontrole nos níveis da pressão arterial ou da glicemia por causa do álcool. O consumo de três ou quatro doses tem como resultado o efeito de dez, porque eles apresentam menos tolerância à bebida do que os jovens.

Tristeza e solidão

Com o avanço da idade, muitos perdem amigos, cônjuges, parentes e a solidão acaba tomando conta. Para preencher esse vazio, encontram no álcool o consolo, como o caso do administrador Roberto N., que desenvolveu o alcoolismo após a aposentadoria, aos 65 anos. Ele argumenta: “Já não precisava esperar o fim do expediente. Comecei a beber de manhã, à tarde e à noite. ”

Por se tratar de uma dependência, geralmente silenciosa, muitos idosos não admitem consumir álcool excessivamente, por acreditarem que têm o controle sobre a bebida. E, nesse momento, familiares e amigos próximos precisam ficar em alerta.

Mesmo respeitando a autonomia do idoso, é preciso encaminhá-lo a tratamentos clínico e psiquiátrico baseados na desintoxicação, na terapia psíquica e na abstinência total. Tudo para desvencilhá-lo dos malefícios da bebida e, dessa forma, trazer a sobriedade, a alegria de viver. Saiba que livrá-lo desse problema pode salvar a sua vida.

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